Como sair das dívidas: o passo a passo que funciona
Como sair das dívidas em 6 passos: mapear o que deve, parar de afundar, trocar por juros menores, negociar e escolher entre avalanche e bola de neve.
Por Equipe Lastro ·
Resposta rápida
Para sair das dívidas: 1) liste todas, com valor, parcela e juros ao mês; 2) pare de fazer dívida nova; 3) troque as mais caras por crédito mais barato, como portabilidade ou consignado; 4) negocie com os credores por canais oficiais, só aceitando parcela que cabe; 5) ataque uma dívida por vez, começando pela de maior juro (avalanche) ou pela menor (bola de neve); 6) monte uma reserva para não voltar ao vermelho.
Por onde começar a sair das dívidas?
Pelo mapa. Ninguém sai de um buraco sem saber o tamanho dele. Pegue papel ou uma nota no celular e liste todas as dívidas: para quem deve, quanto falta, valor da parcela e juros ao mês. Depois, veja quanto sobra por mês para atacá-las além das parcelas mínimas.
| Dívida | Saldo | Juros ao mês |
|---|---|---|
| Cartão (rotativo) | R$ 1.800 | cerca de 13% |
| Cheque especial | R$ 900 | até 8% |
| Empréstimo pessoal | R$ 4.500 | cerca de 4% |
Com a lista na mão, fica claro onde o dinheiro está vazando. Neste exemplo, o cartão é o incêndio: é a menor dívida em reais, mas a que mais cresce.
Passo 2: pare de afundar
Não adianta tirar água do barco com o furo aberto. Enquanto estiver quitando, pare de usar o cartão e o cheque especial. Se precisar, peça para reduzir o limite. Corte o que der do balde dos desejos por alguns meses: cada real liberado vira munição contra os juros.
Passo 3: troque dívida cara por dívida barata
Dívida de cartão e cheque especial pode ser trocada por crédito bem mais barato. A portabilidade é um direito seu: outro banco quita a dívida no atual e você passa a pagar a ele, com juros menores. Consignado e crédito com garantia (de imóvel ou veículo) costumam ter as menores taxas.
Compare sempre pelo CET (Custo Efetivo Total), que soma juros, IOF, tarifas e seguros. Duas propostas com a mesma taxa podem ter CET bem diferente. E só vale trocar se você parou de fazer dívidas novas; senão, o limite liberado vira mais um buraco.
Passo 4: negocie com o credor
Para o banco, dívida parada é prejuízo. Por isso, dívidas antigas e pagamento à vista costumam ter descontos grandes. Plataformas como o Serasa Limpa Nome e os feirões e mutirões de renegociação juntam várias ofertas num lugar só.
- Chegue com o número. Saiba exatamente quanto pode pagar por mês, com folga.
- Só assine o que cabe. Quebrar um acordo costuma piorar tudo: o desconto some e a dívida volta cheia.
- Peça tudo por escrito e guarde o comprovante e o termo de quitação por pelo menos 5 anos.
- Cuidado com golpe. Negocie só pelo app oficial do banco, pelo site do credor ou por plataformas que você acessou digitando o endereço. Boleto de “negociação” recebido por mensagem é o golpe mais comum.
Passo 5: avalanche ou bola de neve?
Com o mínimo de todas em dia, o dinheiro extra vai para uma dívida por vez. Existem dois métodos:
- Avalanche: ataque primeiro a dívida de maior juro. É o método matematicamente mais barato.
- Bola de neve: ataque primeiro a de menor saldo. Você quita uma rápido, sente que está funcionando e ganha ânimo para a próxima.
A melhor estratégia é a que você consegue manter. Mas, quando uma das dívidas é cartão ou cheque especial, a diferença de juros é tão grande que a avalanche costuma economizar muito. Quando uma dívida acaba, a parcela dela “rola” para a próxima.
Simulador
Veja em quanto tempo sua dívida acaba
21 meses
Você paga R$ 8.132,05 no total, sendo R$ 5.132,05 só de juros.
Pagando o dobro (R$ 800,00): 6 meses e R$ 3.902,73 a menos de juros.
Mexa nos números: o resultado muda na hora. Simulação educativa, não é recomendação.
E se a dívida não cabe mais no salário?
Se, mesmo cortando tudo, as parcelas comem o básico para viver, você pode estar em situação de superendividamento. Desde 2021, a Lei do Superendividamento (Lei 14.181/2021) permite pedir, no Procon ou na Justiça, uma audiência com todos os credores ao mesmo tempo. Dali sai um plano de pagamento de até 5 anos que preserva um mínimo para você viver.
Não é perdão da dívida, é um jeito de pagar que caiba. E esses canais não cobram nada: desconfie de quem cobra caro para “limpar seu nome”.
Passo 6: não voltar para o vermelho
Quitou? Agora o dinheiro que ia para as parcelas monta a sua reserva de emergência. Sem ela, o próximo imprevisto vira dívida de novo e o ciclo recomeça. A ordem que funciona: quitar o que é caro, montar a reserva e só então investir para o longo prazo.
No Lastro, a trilha Dívidas e crédito tem lições curtas sobre cartão, rotativo, CET, score, nome sujo, negociação e superendividamento, com exercícios para você treinar as contas antes de sentar para negociar.
Teste rápido
Pegou a ideia? Responda três perguntas
Tiradas da lição “Sair das dívidas” do Lastro. Você vê na hora se acertou e por quê.
Dívidas: cartão R$ 5.000 a 13% ao mês, consignado R$ 8.000 a 2% ao mês, amigo R$ 500 a 0%. Pela AVALANCHE, qual atacar primeiro com o dinheiro extra?
Aprenda isso na prática, um pouco por dia
No Lastro, “Sair das dívidas” é uma lição curta, com exercícios e explicação de cada erro. Grátis, no celular, com sequência e pontos para manter o ritmo.
Perguntas frequentes
Nome sujo some depois de 5 anos?
O registro nos cadastros de inadimplentes (Serasa, SPC, Boa Vista) precisa sair depois de 5 anos. Mas a dívida não some: o credor ainda pode cobrar e lembrar do calote na hora de dar crédito.
Vale a pena pegar um empréstimo para quitar dívidas?
Só se o novo crédito tiver CET bem menor que o da dívida atual e você parar de fazer dívidas novas. Trocar rotativo por consignado ou portabilidade costuma valer muito a pena.
Qual dívida pagar primeiro?
Pelo método avalanche, a de maior juro (normalmente cartão e cheque especial). Pelo bola de neve, a de menor valor. Contas que mantêm a vida funcionando, como aluguel, luz e água, vêm antes de todas.
É verdade que ninguém pode ser preso por dívida?
Por dívida de consumo, sim, ninguém é preso no Brasil. A única exceção é pensão alimentícia. Ameaça e exposição na cobrança são abusivas e podem ser denunciadas ao Procon.
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