Dívidas⏱ 4 min de leitura

Rotativo do cartão de crédito: como funciona e por que é a dívida mais cara

O que é o rotativo do cartão, quanto custa, o teto de juros de 100% que vale desde 2024 e o que fazer quando não dá para pagar a fatura inteira.

Por Equipe Lastro ·

Resposta rápida

O rotativo é o crédito que entra automaticamente quando você paga menos que o total da fatura. Sobre o saldo que ficou incidem juros que historicamente passam de 10% ao mês, mais de 300% ao ano. Ele só pode durar até a próxima fatura; depois o banco precisa oferecer um parcelamento. Desde 2024, juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não podem passar de 100% da dívida original. A melhor saída é pagar a fatura inteira ou trocar a dívida por um crédito mais barato.

O que é o rotativo do cartão?

Quando a fatura chega, você tem três caminhos: pagar tudo, pagar o mínimo ou pagar um valor entre os dois. Qualquer coisa menor que o total faz o saldo restante entrar no crédito rotativo, um empréstimo automático do banco com um dos juros mais altos do país.

🧮 ExemploFatura de R$ 2.000, pagando só R$ 300
  1. Vão para o rotativo: 2.000 − 300 = R$ 1.700
  2. Juros de 13% ao mês: 13% de 1.700 = R$ 221
  3. Na próxima fatura você já deve R$ 1.921, antes de qualquer compra nova (e ainda tem IOF)

Quanto custa o rotativo?

Os juros variam por banco, mas historicamente ficam entre 12% e 15% ao mês. Como são juros compostos, 13% ao mês equivalem a mais de 300% ao ano. Veja uma dívida de R$ 1.000 a 13% ao mês, sem novas compras:

Depois dePela matemáticaCom o teto da lei
1 mêsR$ 1.130R$ 1.130
3 mesesR$ 1.443R$ 1.443
6 mesesR$ 2.082R$ 2.000 (bateu o teto)

O Banco Central divulga no site as taxas médias cobradas por cada banco. Vale olhar a do seu antes de decidir qualquer coisa. Se quiser entender a força por trás desses números, leia sobre juros compostos.

O teto de juros do cartão de crédito

Desde janeiro de 2024, pela Lei 14.690/2023, os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não podem passar de 100% do valor original da dívida. Na prática, uma dívida de R$ 1.000 no cartão pode virar no máximo R$ 2.000.

O teto freia o estrago, mas não deixa o rotativo barato. Dobrar uma dívida continua sendo um desastre.

Outra regra do Banco Central: o rotativo só pode ser usado até a fatura seguinte. Depois disso, o banco precisa oferecer um parcelamento do saldo, que ainda é caro, mas costuma ser menos caro que o rotativo.

Rotativo, parcelamento da fatura ou empréstimo?

Se não dá para pagar a fatura inteira, compare as saídas da melhor para a pior:

  1. Pagar tudo, usando a reserva se precisar. É o único caminho sem juros.
  2. Um crédito mais barato para quitar a fatura, como consignado, crédito com garantia ou portabilidade. Compare pelo CET.
  3. Parcelamento da fatura, se a parcela couber. Olhe o valor total que vai pagar, não só a parcela.
  4. Rotativo, a pior opção. Use só se não houver alternativa, e pelo menor tempo possível.

Como sair do rotativo

  1. Pare de usar o cartão enquanto houver saldo devedor. Cada compra nova soma à dívida.
  2. Pague o máximo que conseguir na próxima fatura, não só o mínimo.
  3. Peça as condições por escrito: taxa, CET, número de parcelas e valor total.
  4. Busque um crédito mais barato e use para quitar tudo de uma vez.
  5. Tenha outras dívidas? O cartão costuma ser a de maior juro, então vem primeiro. O método completo está em como sair das dívidas.

Simulador

Simule

Simule quanto tempo leva para quitar

21 meses

Você paga R$ 8.132,05 no total, sendo R$ 5.132,05 só de juros.

Pagando o dobro (R$ 800,00): 6 meses e R$ 3.902,73 a menos de juros.

Mexa nos números: o resultado muda na hora. Simulação educativa, não é recomendação.

Como nunca mais cair no rotativo

  • Cartão não é renda extra. Gaste no cartão só o que já está no seu orçamento do mês.
  • Limite menor que a sua folga. Se o limite passa do que você consegue pagar, peça para reduzir.
  • Vencimento logo depois do salário. Assim a fatura nunca chega num mês apertado.
  • Reserva de emergência. É ela que paga o imprevisto no lugar do rotativo.

No Lastro, a trilha Dívidas e crédito começa justamente pelo cartão: como a fatura funciona, rotativo, parcelado sem juros e o que vale a pena em anuidade, cashback e milhas.

Teste rápido

Pegou a ideia? Responda três perguntas

Tiradas da lição “Rotativo e parcelamento de fatura” do Lastro. Você vê na hora se acertou e por quê.

🤔 Mito ou verdade?

“Pagar o valor mínimo da fatura “resolve” o mês.”

Trilha Dívidas e crédito

Aprenda isso na prática, um pouco por dia

No Lastro, “Rotativo e parcelamento de fatura” é uma lição curta, com exercícios e explicação de cada erro. Grátis, no celular, com sequência e pontos para manter o ritmo.

Perguntas frequentes

Pagar o mínimo da fatura suja o nome?

Não. Pagando o mínimo você não fica inadimplente, mas o restante entra no rotativo, com juros altíssimos. É o jeito mais caro de ficar em dia.

Qual é o juro do rotativo hoje?

Varia por banco e muda com o tempo; historicamente fica entre 12% e 15% ao mês. O Banco Central publica no site as taxas médias de cada instituição.

O que acontece se eu não pagar nada da fatura?

Além dos juros, entram multa e juros de mora por atraso. Depois de avisar você por escrito, o banco pode registrar a dívida nos cadastros de inadimplentes.

O teto de 100% vale para qualquer dívida?

Não. Ele vale para o rotativo e o parcelamento da fatura do cartão de crédito. Empréstimos, cheque especial e financiamentos têm regras próprias; o cheque especial, por exemplo, é limitado a 8% ao mês.

Continue lendo

Conteúdo educacional do Lastro, revisado em 28 de setembro de 2026. Não é recomendação de investimento nem consultoria financeira. Regras e taxas mudam: confira sempre as condições atuais antes de decidir.