Consignado CLT: quando vale a pena e quando vira armadilha
O consignado CLT já passou de R$ 130 bilhões e ganhou regra nova contra tarifas. Veja como funciona, a garantia do FGTS e a única situação em que ele compensa.
Por Equipe Lastro ·
Resposta rápida
O consignado CLT (programa Crédito do Trabalhador) é um empréstimo com parcela descontada direto do salário, que pode usar parte do FGTS como garantia. Os juros vão de cerca de 1,6% a 6,9% ao mês, com média perto de 3,7%. Ele vale a pena para trocar uma dívida mais cara, como rotativo do cartão ou cheque especial. Para consumo, vira armadilha: a parcela sai do salário antes de você ver o dinheiro, por meses ou anos.
Por que todo mundo está falando disso
Criado em 2025, o Crédito do Trabalhador abriu o consignado para quem tem carteira assinada no setor privado, pelo app da Carteira de Trabalho Digital e pelos bancos. Segundo o Ministério do Trabalho, já são mais de 9 milhões de trabalhadores e cerca de R$ 131 bilhões emprestados.
O crescimento veio junto com um problema: bancos anunciavam juros baixos e embutiam tarifas no contrato. Em abril de 2026, o Ministério publicou uma regra nova: o custo efetivo total (CET) não pode passar dos juros mais 1 ponto percentual ao mês, e só quatro cobranças são permitidas (juros, encargos de atraso, impostos e seguro prestamista, este só com autorização expressa).
Como funciona o consignado CLT
- Desconto em folha: a empresa desconta a parcela do salário e repassa ao banco. Você não escolhe pagar ou não no mês.
- Margem de 35%: a soma de todas as parcelas consignadas pode comprometer até 35% da sua remuneração disponível.
- Garantia do FGTS: você pode dar como garantia até 10% do saldo do FGTS e até 100% da multa rescisória de 40%.
- Se for demitido: o banco pode usar essa garantia e parte das verbas rescisórias para abater a dívida. O que sobrar continua devido, e pode voltar a ser descontado no próximo emprego.
Por ter essa segurança, o banco cobra menos do que num empréstimo pessoal comum. Mas atenção: a média do consignado CLT ainda é o dobro do consignado de aposentados e servidores, que fica perto de 1,8% ao mês.
Quando vale a pena: trocar dívida cara por barata
O consignado só faz sentido se ele substituir uma dívida com juros maiores. O rotativo do cartão e o cheque especial cobram juros de dois dígitos ao mês. Trocar isso por um consignado de 3% ou 4% ao mês é uma economia enorme.
- Consignado CLT a 3,5% ao mês: 24 × R$ 311 = R$ 7.473
- Empréstimo pessoal a 6% ao mês: 24 × R$ 398 = R$ 9.561
- Rotativo do cartão: a dívida cresce mais rápido do que a maioria consegue pagar
- Trocar o rotativo pelo consignado corta o custo e fixa uma parcela que tem fim
Simulador
Veja quanto uma dívida custa com o tempo
21 meses
Você paga R$ 8.132,05 no total, sendo R$ 5.132,05 só de juros.
Pagando o dobro (R$ 800,00): 6 meses e R$ 3.902,73 a menos de juros.
Mexa nos números: o resultado muda na hora. Simulação educativa, não é recomendação.
Quando vira armadilha
- Para consumo: pegar consignado para viagem, celular ou festa é pagar juros por anos por algo que acaba antes.
- Para cobrir o mês: se o salário já não fecha, a parcela vai deixar o mês seguinte ainda mais apertado.
- Sem olhar o CET: compare sempre o custo efetivo total, não só a taxa de juros anunciada.
- Somando contratos: cada novo consignado come mais da margem. Com 35% do salário comprometido, qualquer imprevisto vira dívida nova.
- Contando com o FGTS: a garantia reduz a reserva que você teria numa demissão, justamente quando mais precisaria dela.
Antes de assinar, confira
- Liste suas dívidas com juros mensais. Só troque as que custam mais que o consignado.
- Peça o CET em pelo menos dois bancos e compare o valor total pago, não a parcela.
- Veja quanto da margem de 35% já está comprometida e quanto sobra do salário depois da parcela.
- Leia se o contrato inclui seguro prestamista. Ele só pode ser cobrado com sua autorização expressa.
- Desconfie de quem liga oferecendo crédito “pré-aprovado” e pede dados ou pagamento antecipado: é golpe comum.
Se a situação já saiu do controle, o caminho começa antes do crédito: entender o tamanho da dívida e negociar. O guia como sair das dívidas mostra o passo a passo.
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Perguntas frequentes
Quanto custa o consignado CLT?
Os juros variam de cerca de 1,6% a 6,9% ao mês, com média perto de 3,7% ao mês, segundo o Ministério do Trabalho em 2026. Desde abril de 2026, o CET não pode passar dos juros mais 1 ponto percentual ao mês.
O que acontece com o consignado CLT se eu for demitido?
O banco pode usar a garantia do FGTS (até 10% do saldo e até 100% da multa rescisória) e parte das verbas rescisórias para abater a dívida. Se ainda sobrar saldo, a dívida continua e pode voltar a ser descontada no novo emprego.
Qual é a margem do consignado CLT?
Até 35% da remuneração disponível, somando todos os contratos consignados ativos.
Vale a pena pegar consignado para quitar o cartão?
Geralmente sim, se os juros do consignado forem bem menores que os do cartão e você parar de usar o rotativo. Sem mudar o hábito, a pessoa acaba com o consignado e uma fatura nova.
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